Observando o olhar cansado, os cabelos brancos, os profundos sulcos que marcavam os bons tempos e os maus momentos de tantas décadas de existência, cheguei a sentir pena do meu velho pai.
Seu olhar, muitas vezes se perdia no vazio, como se sua mente procurasse vencer as barreiras do tempo, num esforço quase sobre-humano para recordar os momentos felizes de sua longa existência. Depois de um longo silêncio ele se voltou para mim e num pálido sorriso falou: “às vezes eu tento convencer a mim mesmo de que estou ficando velho. Parece que foi ontem que eu, cheio de emoção tomei nos braços a minha primeira filha. Mal acredito que ela já tem netos que estão pensando em se casar, constituir família...” (fez uma pausa e sorriu). “A vida, meu filho é como um sonho passageiro. Quando menos se espera, ela se desvanece. É como uma nuvem inexpressiva, que vai se condensando e pode até acabar em tempestade violenta, aterradora, negra, temida, no entanto, os próprios elementos da natureza se encarregam de desativá-la e tudo termina como começou. O sol volta a brilhar, tanto para os que choram atingidos pela tempestade, como para os que suspiram aliviados por estarem fora do raio da ação da tormenta.O importante é que devemos dar a nossa existência, a forma de nuvem benfazeja, que passa, encanta e se vai, e nunca uma nuvem carregada, cheia de granizo, coriscos e ventos, porque essa sempre é lembrada pela tristeza e pela dor que causou.
Todos nós podemos dar a nossa nuvenzinha a característica que quisermos, pois Deus nos dá o direito de opção: Ou somos nuvens que passam regando com seus pingos o solo, refrescando a terra, reanimando as plantas, ou nuvens carregadas, desequilibradas, causando danos. “As duas opções são lembradas: a primeira com carinho, a segunda com terror.”
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